terça-feira, 9 de abril de 2013

A tal da " VIDA LOCA"


Olhando na internet me deparei com esse texto que resumiu o que eu havia sentindo de forma sofrida nesses últimos meses, algo que me angustia de modo a deixar de ter esperança no futuro de nossa convivência social.
Leiam o texto dessa Professora, e depois o meu logo abaixo da imagem.



Muito bom mesmo exalta uma verdade cada vez mais comum na geração atual, que muitas vezes se personifica nessa expressão "Vida Loca" que não passa de um processo de imbecilização e mediocridade onde as minimas regras sociais parecem não ter importância alguma, como professor vejo-me triste por ver cada vez mais jovens partindo para um caminho que expressa banalização de uma violência física e simbólica, onde as aulas são vistas de forma descompromissada e sem importância e o professor e tratado como imbecil, em uma relação servil onde o mesmo não pode sequer chamar atenção do aluno, pois o mesmo tem uma visão deturpada do processo educacional, muitas escolas privadas emanam uma relação cruel onde o aluno paga e o professor recebe, nesse jogo o professor e um mero empregado e o aluno dita as regras do processo educacional e dentro de sala de aula, é triste que hoje os pais sejam igualmente imbecis, que quando seus filhos são chamados a responder por seus atos na escola, os mesmos voltam-se contra a escola, legitimando e reforçando uma educação deturpada que quem tem dinheiro e pode pagar por um serviço pode desrespeitar quem quer que seja, professor, coordenadores, psicólogos, pessoal de apoio entre outros, humildemente já perdi a esperança de ter um filho, me acovardei frente a sociedade cruel, injusta, corrupta, invertida, contudo resta-me ter que conviver com os filhos dos outros.
hoje o ato de ensinar é mais do que um dia foi, se no passado a ato de lecionar foi conteudístico ao ponto de repassar conteúdos a serem aprendidos, hoje é necessária mente uma tarefa árdua de formação social, onde o professor torna-se sim, uma esperança de  de uma reformulação no que temos como parâmetros, quando digo parâmetros não me refiro meramente aos educacionais, mas sim a uma luta contra essa inversão de valores sociais a qual estamos expostos todos os dias. 

domingo, 24 de março de 2013

Os Miseráveis 1998 x 2012

Quando soube que o filme era musical tenho que confessar que torci a cara e acabei não indo ver no cinema, minha cara metade não é muito fã de filmes de época como ela mesmo diz, então acabamos não indo, esse final de semana ao assistir em três partes por conta de uma gripe mortal que me acometeu relato abaixo minhas notas sobre o filme.



Fantástica versão as musicas figurino tudo fantástico não perdendo em nada para a versão ate então a melhor a de 1998 com Liam Neeson no papel principal, destaque especial para as canções Look Down no inicio do filme, Master of The House na Taverna, Look down na sua segunda parte já em Paris primeira aparição do menino Gavroche, Black and Red no embate entre o amor e o dever pela pátria mãe, o Filme e uma viagem magica a uma Historia celebre de Vitor Hugo, contudo a o que se criticar como tudo, deixo claro que as criticas são normais e não chegam sequer a arranhar o brilho de um filme como esse, Inicialmente o filme é curto sendo assim corre em algumas partes deixando duvidas para quem não viu as versões anteriores ou leu o Livro, apesar de ser fã do Russell Crowe de Inspetor Javert não foi uma de suas melhores atuações o Oscar na minha opinião continua com Geoffrey Rush a atuação dele é superior o ódio por Verjan é quase real, mas nem tudo é critica destrutiva, a cena da queda de  Fantine é bem mais chocante e forte a venda dos dentes foi horripilante demais para alguns, o Filme é uma obra fantástica que deve ser somada aos amantes de Filmes & Musicais.
Abaixo um trecho inspirador e revolucionário de Gavroche cantado a 1h:08min:15sec do filme:


Houve uma época
em que matamos o Rei
Tentamos mudar o mundo
rápido demais
Agora temos outro Rei
Ele não é melhor
que o último
Esta é a terra
que lutou pela liberdade
Agora só lutamos
quando disputamos o pão
A questão sobre igualdade
É que todos são iguais
quando morrem
Assuma seu papel,
agarre a chance
-Viva a França!
-Viva a França!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Porque 8 de Março é Dia Internacional da Mulher ?


História do 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.


Marcos das Conquistas das Mulheres na História

- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças
- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina
- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres


INFELIZMENTE A DATA FOI TOMADA PELA ALIENAÇÃO E PELO CAPITAL E HOJE MUITAS MULHERES SE CONTENTAM COM PERFUME NO LUGAR DE RESPEITO.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Saiba Como Fazer o Drinque Mint Julep

Esse é um drinque fácil é muito bacana testado e aprovado Nota 10


O drinque Mint Julep é uma tradição do sul dos Estados Unidos. Muito comum na Virginia e no Kentucky desde o século 19, a bebida pode ser encarada como a “caipirinha americana”. No lugar da cachaça, a bebida típica do nosso interior, o coquetel usa o uísque Bourbon — a caninha do redneck.  Veja a receita:

Mint julep Ingredientes

Duas doses de uísque bourbon

4  folhas de hortelã

1 colher de chá de açúcar

2 colheres de chá de água

Gelo picado

Modo de preparo
Em um copo alto, macere gentilmente a hortelã. Coloque o açúcar e a água. Ponha o gelo picado e complete com o Bourbon. Mexa até formar algo parecido com uma raspadinha. Decore com uma hortelã e sirva.



Esse Texto é uma contribuição de Antônio Maia, Sociólogo Membro Fundador do Oráculo Paraense.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Usina de Belo Monte: mais uma desterritorialização ?

              Atualmente muito tem se discutido a respeito dos impactos ambientais da implantação da usina de Belo Monte. Contudo, pouco se discute a desterritorialização que está por acontecer.
            Analisar tal fenômeno nos leva a refletir acerca do território, como conceitua Milton Santos “o território é muito mais que mero espaço a ser ocupado e usado, o território é dotado de relações sociais que marcam a própria definição social do individuo”


         Sendo assim, retirar à força populações que habitam o território entorno de projetos como o da usina de Belo Monte, privando-os do usufruto da terra, configura-se em muito mais do que simplesmente remanejar e indenizar. Processos como esses implicam total desestruturação da vida do habitante local, o que na maioria das vezes resulta na perda de costumes e tradições interligadas a todas as múltiplas significações do território, gerando a morte sócio-cultural desses grupos.
            Diante disso, torna-se necessário que a sociedade se mobilize a fim de, desenvolver uma reflexão crítica a respeito dos verdadeiros impactos sociais e ambientais resultantes dos grandes empreendimentos, de modo que cada vez mais a sociedade esteja esclarecida a respeito dos efeitos danosos. Somente com a mobilização da sociedade civil poderemos combater essas ações impostas por uma ótica desenvolvimentista ávida por lucros e totalmente indiferente as mazelas sociais decorrentes desses processos. 
                É nesse ponto que vemos que mais uma desterritorialização esta por acontecer.




sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um breve comentário sobre a Maravilhosa Trilogia dos Dólares (Sergio Leone, 1964/1965/1966)



Se, há mais de quarenta anos, um italiano por muitos considerado doido não tivesse resolvido realizar seu grande sonho de filmar westerns no velho continente, talvez, hoje, Ennio Morricone não tivesse uma poltrona almofadada na história da música, Clint Eastwood passaria de ícone e diretor oscarizado a limpador de piscinas em São Francisco, o spaghetti western seria uma página de curiosidades mórbidas no livro secular do cinema, e, certamente, o mundo teria perdido uma das maiores trilogias e mais belas odes à violência já vistas. 

Sergio Leone, o italiano em questão, diretor também da absurda Trilogia da América, mudou a história da 7ª arte ao amplificar o mais ínfimo detalhe de cena ou linhas de expressão em elementos fundamentais do seu soneto visual. Poucos compreenderam tão bem quanto ele o poder de um rosto na tela. A Trilogia dos Dólares, bem mais que um desconhecido metendo bala e levando grana pra cima e pra baixo, é o grande quadro de um velho oeste nunca visto até então. Tão violento e sujo como antes, mas nunca, nunca tão detalhado, tão cultuado, tão inesquecível. Leone saiu da Velha Bota disposto a mostrar ao mundo que resplandecente beleza pode haver na morte de uns vagabundos por algumas moedas. 


Por um Punhado de Dólares (Per um Pugno di Dollari, 1964)



O começo, apesar de modesto, dá bons sinais do que poderia se esperar de Sergio Leone. Por um Punhado de Dólares é o “pior” filme do diretor (sem contar O Colosso de Rodes, de 1961), e mesmo assim, é fantástico. Xerocando na cara dura Yojimbo (Akira Kurosawa, 1960), e desenhando uns pares de chapéus de aba larga e revólveres no lugar das espadas, Leone exercitava seu famigerado estilo de tomadas longas, contemplação quase tributária à poeira do Oeste, e close-ups que invadiam a alma dos personagens.

No filme, Clint Eastwood dá vida pela primeira vez ao “pistoleiro sem nome” (chamado em dado momento de “Joe” pelo agente funerário do lugar, o que pouco importa), que chega (montado numa mula e com uma roupa se desmanchando de curtida) à remota cidadela mexicana de San Miguel, um povoado repartido por dois grupos rivais, os Rojo e os Baxter. O Sem Nome (que, como bem diz Tuco no final de Três Homens em Conflito, é um grandessíssimo filho da mãe) percebe que pode ganhar um bom dinheiro com a situação. Porém, ele encontra em Ramón (o ótimo Gian Maria Volonté) um pistoleiro à altura no grupo dos Rojo.
Sem Nome serve apenas a seus próprios interesses, algo com que as pessoas teriam que se acostumar até os dois filmes seguintes. O Velho Oeste está esquecido por Deus, e quem tem um revólver carregado na mão é o detentor da palavra sagrada, usando-a como bem entender. Assim, o protagonista não tem receio em mudar de lado na luta entre os dois grupos quando melhor lhe convir. No entanto, ainda há (neste primeiro filme) uma preocupação no estabelecimento de papéis entre o pistoleiro e Ramón (no sentido de herói x vilão), quando o personagem de Volonté dá as caras logo executando uma chacina, e o de Eastwood demonstra certa humanidade ao ajudar uma família a fugir da cidade (aliás, este é o único fato que dá pistas do seu passado ao longo de toda trilogia, o que viria a ser confirmado mais tarde no terceiro filme, presumindo, é claro, que se trate do mesmo homem).
Por um Punhado de Dólares é sem dúvida o filme mais sério e violento da trilogia. Além da longa surra que Sem Nome leva, o extermínio de uma família inteira não é algo simplesmente prático (e também chocante) como em Era uma Vez no Oeste (muitíssimo bem representado, neste especial, pelo Pedro Kerr), mas verdadeiramente terrível e com um alto nível de crueldade. Ramón taca fogo na casa com todos lá dentro e os espera sair para matá-los como gado, visivelmente se divertindo demais com tudo. As cenas impressionam e podem causar repulsa em algumas pessoas ainda hoje, mas são fundamentais para instaurar um clamor de vingança no espectador, amplificado lentamente durante o período de recuperação do personagem de Clint Eastwood. Deste modo, talvez não se admita, mas os mesmos que se viram enojados à violência da chacina, saboreiam a morte de cada um dos assassinos nas mãos do Sem Nome, adotado pelo espectador como instrumento de retaliação, já não importando mais qual a conduta ou os objetivos do personagem, tampouco que seja tão assassino quanto os outros.
O clímax (homenageado por Robert Zemeckis na Trilogia De Volta Para o Futuro) é exuberante, e demonstra o talento inquestionável de Leone com a câmera, tanto na arte de ampliar detalhes, como na de criar uma atmosfera de tensão e expectativa quase insuportável. A quem não conhece, a seqüência do Sem Nome levando tiro sobre tiro de rifle, caindo, e se levantando sempre, pode ser perturbadora, em vários sentidos. O melhor momento do filme (e talvez o melhor close de toda esta trilogia) é precisamente quando o personagem de Eastwood revela a Ramón o segredo da sua aparente invulnerabilidade. Leone, sem qualquer aviso prévio, nos joga em cima de Gian Maria Volonté. Nós, (no limite do possível) calmos, sentados em nossos sofás atrás da blindagem de vidro da televisão, de repente despencamos adentro de Ramón, assimilando imediatamente tudo que o personagem sente no momento. Com uma imagem, um movimento, Leone consegue o que certos diretores não atingem em toda carreira, e que, em síntese, é a razão de existir do cinema: despertar uma pilha de emoções.
Mesmo que visivelmente inferior aos outros dois exemplares da trilogia, Por um Punhado de Dólares merece todo respeito do mundo por ter posto no mapa Sergio Leone, Clint Eastwood e Ennio Morricone, relevando ainda que o spaghetti western pedia licença para ser notado.
Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più, 1965)



“Os olhos dele fazem buracos na tela”. Assim Sergio Leone definiu Lee Van Cleef, o homem na pele do Coronel Douglas Mortimer e protagonista efetivo de Por uns Dólares a Mais. Van Cleef é um achado. Depois de tentar Henry Fonda no papel (que recusou pela ainda relativa obscuridade do diretor. Os dois trabalhariam juntos mais tarde, em 1968, na obra-prima Era uma Vez no Oeste), Leone resolveu apostar (assim como fez anteriormente com Clint Eastwood) num desconhecido, acostumado a papéis discretos, incluindo pequenas participações em Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952), e em O Homem Que Matou o Facínora (John Ford, 1962). Não se pode dizer exatamente que Van Cleef atua. Quem interpreta seu personagem é a lente da câmera de Sergio Leone. Para ele, resta emprestar o rosto ao personagem. Com feições extremamente marcantes, um olhar que “faz buracos na tela”, e um sorriso entre o escárnio e a arrogância, Lee Van Cleef seria tatuado na história do cinema, tanto aqui, como no filme seguinte, Três Homens em Conflito.

Em Por uns Dólares a Mais, o Coronel Douglas Mortimer, um caçador de recompensas, chega na cidade de El Paso na esperança de capturar El Índio (Gian Maria Volonté, outra vez, e ainda melhor), um conhecido bandido com carimbo de dez mil dólares na testa, que planeja um assalto ao banco do lugar. No entanto, Sem Nome (desta vez apelidado de “Monco” por editores de jornal) se hospeda no hotel em frente ao do Coronel, também em busca das cabeças de El Indio e seu bando.
O relacionamento dos personagens de Eastwood e Van Cleef é sem dúvida o ponto de gravidade de Por uns Dólares a Mais. Tangenciando entre a rivalidade e um paralelo “pupilo x mestre”, os dois usam um ao outro até o fim. O encontro, na rua principal de El Paso, em frente aos hotéis, é o melhor momento do filme, superando até mesmo o duelo final com El Índio. É um choque, acima de tudo, elegante, de dois personagens muito admirados pelas lentes de Leone até então. E o jogo dos tiros nos chapéus é algo fantástico, literalmente, assim como o tom agradável em que a noite acaba.
Leone ainda flerta aqui com um tema que renderia uma obra de arte três anos mais tarde, em Era uma Vez no Oeste. Quando Sem Nome conversa com o “profeta” em busca de informações sobre seu rival, ouve do velho homem que sua vida fora destruída pelos “malditos trens”, assim como a do Coronel Douglas Mortimer, outrora um valoroso soldado, hoje, reduzido a um carniceiro mercenário. Como no filme de 68, os novos tempos chegam atropelando a calmaria dos antigos, roubando os espaços de homens como os dois no mundo, e enterrando-os, assim como a todo um gênero saturado e gradativamente abandonado no cinema.
Daí a conexão com a revelação do passado de Mortimer e El Índio (e Volonté expressa uma dor na gravidade do olhar talvez só comparável a Humphrey Bogart em No Silêncio da Noite), ampliando-se, ainda, numa reflexão quanto ao destino não apenas destes dois e de Sem Nome, mas do resto dos personagens de toda trilogia, talvez não apenas estrita e deliberadamente o que são pelo que são, mas levados ao gatilho do revólver como único meio de sobrevivência. Como revela a conversa de Tuco com o irmão, em Três Homens em Conflito, quando diz a ele que o que restava para eles era abraçar ou uma arma ou a bíblia, e que seu irmão escolheu o segundo caminho apenas por não ter coragem de optar pelo primeiro.
No Velho Oeste de Sergio Leone, os homens ou caçavam uns aos outros, ou se enclausuravam numa sacristia, ou morriam de fome.
Três Homens em Conflito (Il Buono, il Brutto, il Cattivo, 1966)

“O Bom, O Mau e o Feio”, conforme tradução literal do título italiano, é uma grande brincadeira e uma sentença final de Sergio Leone quanto a definições de caráter: não há definições de caráter. Todos são iguais perante Deus, todos são iguais perante o ouro. Assim como quando Sem Nome (aqui apelidado de “Blondie”, mas que continua podendo tranqüilamente ser chamado de “grandessíssimo filho da mãe”) deixa Tuco amarrado pra morrer no deserto sem qualquer motivo explícito, este devolve na mesma moeda saboreando a vingança enquanto arrasta o homem por 200 km de sol e areia, e que, por sua vez, quase morre de pancada nas mãos do “Angel Eyes”.

No filme, “Angel Eyes/O Mau” (Lee Van Cleef), em mais um dia duro de trabalho, descobre a pista de uma fortuna em ouro. Tudo que ele tem é um nome, e vai cruzar um solo americano crestado pela Guerra Civil atrás dele. Neste meio tempo, enquanto “Tuco/O Feio” (Eli Wallach) arrasta “Sem Nome/O Bom” (Clint Eastwood) por um deserto, o primeiro descobre que o ouro está enterrado num cemitério, mas apenas o segundo sabe o nome da tumba onde ele está. Com uma metade do segredo cada um, os dois não têm outra alternativa a não ser partirem juntos em busca do ouro. No entanto, fatalmente encontram Angel Eyes pelo caminho.
Embora o filme mais politizado de Leone seja mesmo Quando Explode a Vingança, em Três Homens em Conflito ele faz questão de opinar sobre a guerra (o mesmo erro fotocopiado através da história e por todo sempre), quando a coisa no Vietnam já comia adoidada. Algumas falas são históricas. “A única coisa em comum entre os do lado de cá, e os do lado de lá, é o cheiro do álcool”, segundo o capitão na batalha pela ponte. Ou ainda: “nunca vi tantos bons homens desperdiçados”, numa rara emissão de opinião do Sem Nome sobre o que se passa a sua volta. Ainda que os pistoleiros do faroeste perdessem suas vidas a troco de umas moedas ou um par de botas, os homens na ponte e os homens no Vietnam perdiam as suas a troco de nada.
Já muito à vontade no seu terceiro western, Leone esbanja humor negro. Três Homens em Conflito é quase uma comédia. Até Sem Nome carrega na ironia ao abandonar Tuco no deserto. “Quanta ingratidão depois de todas as vezes que eu salvei a sua vida”. No final, ao jogar os objetos de um morto junto com ele pra cova, e ainda quando Tuco é focado através do nó da corda no cemitério. A primeira aparição de Tuco na tela, aliás, é algo fora de série. O grande momento sem dúvida é dele, ao proferir uma frase que poderia jogar por terra metade dos filmes com vilões prolixos e megalômanos que discursam ou armam parafernálias absurdas que sempre dão o tempo exato para o herói se salvar. “Quando tiver que atirar, atire, não fale”. Ora, reparem, isso é uma filosofia de vida, quase uma religião.
O mais interessante, especialmente na cena citada, é que apesar de Tuco ser um desgraçado impiedoso, acabamos de certo modo torcendo por ele (ou talvez eu que seja um sádico doentio, mas prefiro acreditar na simpatia do personagem). Algo que se deve muito ao desempenho magnífico de Eli Wallach no papel. E o mais fantástico, o oposto do “Bom”, na visão de Leone, não é o “Mau”, mas o “Feio”. Assassinos são todos, em maior ou menor grau (se é que é certo estabelecer graduação), mas o Sem Nome com aquele jeitão mitificado de quem só fala quando precisa, encontra no Tuco uma personalidade absolutamente contrária (além da disparidade física). Tuco e Sem Nome, pessoas tão diferentes, terminaram afunilados no mesmo rastilho de sangue do velho oeste, quando em outro contexto (lembrando novamente da conversa que o personagem de Wallach tem com seu irmão) estariam livres para seguirem caminhos dispersos.
Muitos consideram este o auge de Ennio Morricone (que está prestes a completar 80 anos de idade). Apesar de eu pessoalmente preferir a trilha de Era uma Vez no Oeste, é inegável que em Três Homens em Conflito ele estivesse tão arrepiante quanto, muito disso porque Sergio Leone sabia exatamente o que fazer para dar a estrela da cena à música do maestro italiano, seguramente o compositor mais genial que já serviu ao cinema. Como quando Tuco corre pelo cemitério em busca da cova de Arch Stanton com L’estasi Dell’oro estourando; cena que invade, arranca e arrasta o espírito de quem assiste. E talvez nem fosse necessário, mas falar de Morricone sem citar a música-tema é não falar coisa alguma. Este é um daqueles casos em que a canção é assoviada por gente que nunca passou nem perto de assistir Três Homens em Conflito, quando o poder e o mistério de uma melodia ultrapassam tudo, até mesmo o filme para o qual ela foi composta.
O truelo final é um absurdo. E muito didático também. É quando todo aquele talento sobrenatural do Leone de manipular pequenos detalhes e criar um ambiente de tensão insuportável, do qual eu falava lá em cima, dispensa todas as palavras. São cinco minutos de Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood. Ou melhor. São cinco minutos de gestos, olhos, dedos, dedos inteiros, revólveres e coldres de Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood. Tudo em função de criar uma bolha de expectativa que vai se comprimindo sobre o espectador até quase esmagá-lo. E o mais incrível é que o desfecho é relâmpago: quem piscou, não viu.
Três Homens em Conflito é indiscutivelmente o pico da Trilogia dos Dólares. É um épico. O filme que resgatou toda uma geração de passar a infância sonhando com duplas de tiras e motores V8. Talvez, o filme máximo para quem buscou no western uma viagem no tempo de umas fantásticas três horas de muito mais do que diversão, mas de história sendo feita.
O que mais impressiona na filmografia de Sergio Leone, é a espetacular evolução de um filme para outro. Cada um representa um salto (embora eu não possa representa-lo nas notas abaixo – isto para quem se importa com notas), ascendência que se mantém inviolável de Por um Punhado de Dólares (1963) a Era uma Vez no Oeste (1968), primeiro capítulo da Trilogia da América, composta ainda pelo sobrenatural Quando Explode a Vingança, de 1971 (cujos primeiros vinte minutos são das coisas mais geniais já feitas, e que possui ainda uma ruptura maravilhosamente chocante por volta da metade) e Era uma Vez na América, de 1984 (obra-prima absoluta, melhor filme de máfia que existe, e quase tão perfeito quanto Era uma Vez no Oeste).
A Trilogia dos Dólares é, inteira, uma poesia épica em homenagem à violência, à imoralidade, à ausência de escrúpulos, à ganância e a um dos tempos e lugares mais selvagens de toda história. Primeira metade da grande e definitiva ópera de sangue composta através da filmografia do mestre italiano. Quem nunca brincou de meter bala em traseiro de gringo safado, portanto, que atire a primeira pedra. Mas se atirar, ahhh, amigo… é bom que acerte.

Foto dos Bastidores:





“Quando for atirar, atire, não fale” – Tuco/Il Brutto, em Três Homens em Conflito.

Se você não viu a Trilogia dos Dólares, veja, se já viu, veja novamente.
                                                                              (MAIA, 2011, p. 12.) 

domingo, 2 de janeiro de 2011


A MATERIALIZAÇÃO DA AFETIVIDADE


Torna-se pertinente uma análise crítica, afim de elucidar o grande numero de fenômenos relacionados a assassinatos Bárbaros.
Observa-se que casos como esses acontecem em vários níveis interpessoais, por exemplo: pais e filhos, namorados e irmãos.
Com o mundo pautado sob uma ótica capitalista e consumista as pessoas estão cada vez mais ocupadas em trabalhar, a fim de gerar renda, com a intenção de consumir, algo comum na sociedade atual, onde a identidade social está interligada ao nível de acumulação de bens e a poder de consumo, e não por suas ações ou atitudes.
É nessa sociedade de pessoas ocupadas com trabalho e quase sempre ausentes do convívio familiar,que contribuem para a criação de uma geração acostumada a receber presentes materiais como expressão de afetividade, como diz Zygmunt Bauman em “Vida para Consumo”: esses “presentes” que oficializam a completa solubilidade das relações sociais, assim tornando possíveis casos de assassinatos bárbaros sem remorso ou duvida.
A liquidez dessas relações afeta diretamente o convívio social. Nos dias de hoje, perde-se mais tempo trabalhando do que cuidando dos filhos, ou resolvendo problemas afetivos,fato esse que influenciará diretamente na própria formação moral e ética dessa nova geração, que cada dia mostra-se mais irritada, frustrada e violenta.
É importante ressaltar que esses assassinatos não estão isolados a camadas mais baixas da sociedade, mas mostram-se presentes nas altas camadas.
Esse texto tem como intenção despertar uma fagulha de reflexão crítica sobre essa ótica consumista tão exagerada que a cada dia que passa enfraquece nossas relações sociais e contribui com a materialização da afetividade na sociedade atual.

Esse Texto é uma contribuição de Antônio Maia Acadêmico do Curso de Ciências Sociais - Unama. Membro do Oráculo Paraense. Texto Originalmente publicado em COMUNICADO Nº1578 Universidade da Amazônia - UNAMA, p. 07, 20 Set. 2010.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Dificil Ato de Escrever ?


A folha em branco à frente e a dúvida de como começar a escrever o texto. Os olhos cercam o tema escolhido, tentando imaginar algo para, então, desenvolver, mas nada surge. O tempo passa e, ainda não se sabe por onde começar. As mãos deslizam na caneta por conta do nervosismo. Será que vai dar tempo? As perguntas rodeiam o escrevente até a primeira palavra ser colocada no papel.
          Situações semelhantes a essa são frequentes entre os alunos. A dificuldade em produzir um texto está relacionada às “deficiências” no processo de coesão textual. Diferentemente da língua falada, à qual já está internalizada na mente do falante, a língua escrita passa a ser mais difícil. Isso ocorre a partir do momento em que se percebe que essa modalidade da linguagem é regida por regras gramaticais que nem sempre são usadas no processo de comunicação oral.
Os alunos, apesar de passarem tanto tempo estudando português na escola, ao término dos 12 anos escolares, não conseguem aplicar tudo que lhes foi “transferido”. Será que o ensino do português não foi eficaz? Talvez o ensino tenha sido voltado apenas para uma variação, não dando subsídios ao aluno para uma possível contextualização do assunto abordado. Faltou dizer aos alunos que dominar a gramática, por exemplo, nem sempre significa estar apto a escrever um bom texto.
Tudo o que resta é tentar, pois escrever pode ser uma tarefa fácil para qualquer pessoa, mas exige empenho, interesse e habilidade para tanto. E para isso acontecer exige-se a prática. Precisa-se compreender que ensinar, ou praticar a língua portuguesa, requer não apenas uma visão de aspectos linguísticos, mas também uma larga abordagem histórico-cultural.

Esse Texto é uma contribuição de Fernanda Machado Acadêmica do Curso de Letras - Unama. Membro do Oráculo Paraense. Texto Originalmente publicado em COMUNICADO Nº1535 Universidade da Amazônia - UNAMA, p. 07,  11 Nov. 2009.
 






quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Importancia de Dalcidio Jurandir nas Ciências Sociais


Entre minhas experiências acadêmicas tive a grande honra de ter sido aluno do Dr. Paulo Nunes apaixonado pela literatura, detentor de uma criticidade tão próxima das ciências sociais e ao mesmo tempo tão profundamente literária. Ate então não fazia a mínima idéia de quem seria Dalcídio Jurandir ou seu ciclo do extremo norte, passo a passo pude ver que Dalcídio Jurandir não era somente um escritor amazônida mais sim um grande critico a seu tempo, seus livros denunciam dês as desigualdades sociais ate a burguesia de fachada como podemos ver no Livro Belém do Grão Pará.
Dalcídio consegue ser critico sem ser panfletário, consegue ser sutil e ao mesmo tempo ter o brado forte de um amazônida que não queria calar-se as injustiças sociais e a ideologia literária da época.
As obras de Dalcídio foram chamadas de Ciclo do Extremo Norte, os quais podemos ver abaixo:

Chove nos Campos de Cachoeira (1941)
Marajó (1947)
Três Casas e um Rio (1958)
Belém do Grão Pará (1960)
Passagem dos Inocentes (1963)
Primeira Manhã (1968)
Ponte do Galo (1971)
Os Habitantes (1976)
Chão dos Lobos (1976)
Ribanceira (1978)

Portanto, Dalcídio Jurandir e um autor fantástico, indispensável não somente para quem é apaixonado por literatura, mais quem tem um senso comum apurado de modo a questionar regras impostas socialmente que nos calam no dia a dia e nos tolhem em cada uma de nossas ações, e é ai que nos podemos aprender com Dalcídio uma vez que ele não se calou frente ao poder coercitivo presente em seu contexto histórico. 
Todo meu romance distribuído, provavelmente, em dez volumes, é feito, da maior parte, da gente mais comum, tão ninguém, que é a minha criatura da grande de Marajó, Ilhas e Baixo Amazonas.Fui menino de beira de rio, do meio do campo, banhista de igarapé. Passei a juventude no subúrbio de Belém, entre amigos, nunca intelectuais, nos salões da melhor linhagem que são os clubinhos de gente da estiva e das oficinas, das doces e brabinhas namoradas que trabalhavam na fábrica.  Um bom intelectual de cátedra alta diria:  são as minhas essências, as minhas virtualidades.  Eu digo tão simplesmente:  é a farinha d’agua dos meus bijus (sic).  Sou um também daqueles de lá, sempre fiz questão de não arredar pé de minha origem e para isso, ou melhor, para enterrar o pé mais fundo, pude encontrar uma filiação ideológica que me dá razão.  A esse pessoal miúdo que tento representar nos meus romances chamo de aristocracia de pé no chão.
                                                             (Folha do Norte, 23 de outubro de 1960).


Esse Texto é uma contribuição de Antônio Maia Acadêmico do Curso de Ciências Sociais - Unama.
Membro do Oráculo Paraense.






Versão em Ingles


Between my academic experiences I had the great honor to have been a pupil of Dr. Paulo Nunes in love with the literature, holder of a criticidade so near of the social sciences and at the same time so deeply literary. Up to that time it was not doing whose least idea would be a Dalcídio Jurandir or his cycle of the Northern extreme, step by step I could see which Dalcídio Jurandir was not only a writer amazônida any more yes a great critic at his time, his books denounce that you give the social unequalities tie the bourgeoisie of front as we can see in the Book Belém do Grão Pará.
Dalcídio manages to be a critic without being a pamphleteer, manages to be subtle and to the same time to have the strong shout of an amazônida that did not want to conceal the social injustices and the literary ideology of the time.
The works of Dalcídio were called of Cycle of the Northern Extreme, which we can see down:

Chove nos Campos de Cachoeira (1941)

Marajó (1947)

Três Casas e um Rio (1958)

Belém do Grão Pará (1960)

Passagem dos Inocentes (1963)

Primeira Manhã (1968)

Ponte do Galo (1971)

Os Habitantes (1976)

Chão dos Lobos (1976)

Ribanceira (1978)

So, Dalcídio Jurandir and a fantastic, essential author not only for the one who is in love with literature, more who has a common refined sense of way to question rules when what silence us in day by day and impede us in each one of our actions were imposed socially, and is oh that we can learn ourselves with Dalcídio as soon as he was not silent in front of the power coercitivo presently in his historical context.



All my distributed novel, probably, in ten volumes, there is done, on most, of the commonest people, so nobody, who is my creature of the great one of Marajó, Islands and Low Amazon. I was a boy of bank of river, of the way of the field, bather of narrow riverbank. I passed the youth in the suburb of Belém, between friends, never intellectuals, in the halls of the best lineage that are the clubinhos of people of the stowage and of the workshops, of sweets and brabinhas girlfriends who were working in the factory. A good intellectual of high chair would say: they are my essences, my virtualidades I say so simply: it is the flour d'agua of my bijus (sic). I am one also of that of there, I always asked question not to move of my origin and for that, or better, to bury the most deep foot, could find an ideological affiliation that gives me reason. To this small people whom I try to represent in my novels I call of aristocracy of foot in the ground.

                                                             (Folha do Norte, 23 of October of 1960).


terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Historia do Bonde em Belém de 1868 a 1947

A primeira empresa de bondes na capital paraense foi organizada em 1868 pelo cônsul dos Estados Unidos em Belém, o industrial James Bond. Por isso, historiadores locais afirmam que o nome dele foi a origem da palavra "bond", aportuguesada como "bonde", para designar tais veículos.



A linha de bondes a vapor de Belém, uma das primeiras no Brasil, ligando o Largo da Sé ao Largo do Nazaré, foi inaugurada em 1/9/1869, com bitola de 1.435 mm, usando três locomotivas e dois carros de passageiros, segundo relata o pesquisador estadunidense Allen Morrison.


 Mapa Ferroviario de Belem

Bond vendeu seu sistema em 1870 a Manoel Bueno, que formou a Companhia Urbana de Estrada de Ferro Paraense, e no mesmo ano a Companhia de Bonds Paraense inaugurou sua primeira linha de bondes com tração animal, em bitola de 750 mm. Em 1883 já existiam 30 km de linhas, entre bondes a vapor ou com tração animal.



A Companhia Urbana assumiu todo o sistema em 1894 e contratou a Siemens & Halske, de Berlim (Alemanha), para instalar a iluminação pública e um sistema de bondes elétricos. Mas os alemães só fizeram a primeira parte.



A Pará Electric Railways and Lighting Company, registrada em Londres em 25/7/1905, comprou a Companhia Urbana e encomendou à também inglesa J. G. White & Co., de Londres, a instalação do sistema de bondes elétricos. Seus trabalhos começaram em 15/8/1906 e exatamente um ano depois foi inaugurada a operação na então Avenida São Jerônimo (hoje Avenida José Malcher). O uso de bondes com tração animal terminou em 21/7/1908, sendo os veículos vendidos para Natal/RN.



O sistema de bondes elétricos de Belém permaneceu britânico em toda a sua existência, inclusive observando regulamentos rígidos, como o de que um veículo de primeira classe não poderia parar para um passageiro vestido inapropriadamente ou de forma incompleta. Um exemplo basico da divisão social, em classes economicas.



Mas, ao contrário dos veículos de Manaus, os bondes elétricos em Belém trafegaram sempre pelo lado direito, nas vias de mão dupla.



Em 1940, vinte bondes fechados foram adquiridos em segunda-mão de Cardiff (em Wales, na Grã-Bretanha). Eles eram os únicos que um visitante encontraria rodando em Belém em 1946. O sistema de bondes dessa cidade paraense foi o primeiro grande sistema brasileiro a fechar, o que ocorreu por razões financeiras, em 27/4/1947.

O Bonde nos Dias de Hoje





Uma chegada muito esperada, o Bonde chegando no porto.




O Projeto do Bonde de Belém está totalmente concluído, ou em partes, o atual prefeito retirou das ruas a fiação elétrica que daria vida ao Bonde. Uma rixa entre o antigo e o atual prefeito encalhou um belo e pronto projeto, até hoje o bandinho raramente sai da sua garagem.




O Bonde foi restaurado em Santos e trazido a Belém. Circularia no entorno do centro histórico de Belém nos feriados e fins de semana.




Contudo, atualmente o Bonde faz periodicas voltas no centro historico de Belém, infelizmente esses passeios são muito raros. Abaixo a estação do bonde.




Esse Texto é uma contribuição de Antônio Maia Acadêmico do Curso de Ciências Sociais - Unama.
Membro do Oráculo Paraense.